Vista pela Daisy
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Ler os outros
Já expliquei em tempo: nem tudo o que aqui se escreve é verdade. Por exemplo: nunca uso camisas brancas. - o link já estava em draft há algum tempo.
Anónimos - o excelente humor da Pipoca.
Anónimos - o excelente humor da Pipoca.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
A lista
Há pouco tempo vi um episódio de Friends em que o Ross fez uma lista de prós e contras relativamente à Rachel. Ela descobriu e, claro, ficou furiosa. Este episódio fez-me lembrar um episódio da minha vida. A uma lista onde eu era a avaliada. Já foi há uns (bons) anos. O V. era antes de mais meu amigo, estávamos muito tempo juntos, era uma excelente companhia. Eu sabia que da parte dele o sentimento ia muito além da amizade, mas nunca falámos acerca do assunto. Ou melhor falámos, muito superficialmente, passado um ano. Um ano de partilha, de momentos, de risos, de lágrimas. Eu adorava a companhia dele, claro, sabia-me bem aquele interesse, aquela dedicação e empenho. Ele escrevia poemas a uma suposta musa que eu fingia não saber quem era. Mas o V. não recebia o mesmo da minha parte.
Depois daquela tentativa de conversa o nosso relacionamento esfriou. Nós tínhamos amigos em comum e inevitavelmente continuávamos a estar juntos, mas quando estávamos sozinhas havia um certo desconforto. Mas tarde soube que a minha amiga M. a encorajou a fazer uma lista. Uma lista de prós e contras em relação a mim. Eu não fiquei chateada com ela, nem com ele. Quer dizer não me lembro se fiquei, o que deve significar que não teve importância. Entendo que o V. tenha tido a necessidade de se afastar de mim. Se me custou perder aquele amigo? Muito.
Durante uns anos o nosso único contacto limitou-se a telefonemas nos nossos aniversários e a postais Natal, até que a vida tratou de nos aproximar. Profissionalmente voltámos a encontrarmo-nos e inclusive a trabalhar juntos. Desde então o contacto, mesmo não sendo regular, tem-nos permitido saber mais um do outro.
E porque me lembrei disto agora? Simples, na semana passada recebi o seu convite de casamento.
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Até eu
Que não ligo nada a futebol e muito menos a histerias associadas dei por mim a ver a apresentação do Ronaldo. O A. queria ver e eu passei o tempo todo a criticar, a questionar aquela confusão toda. Mas calei-me. Só para ouvir Xutos e Pontapés no estádio de Santiago Bernabéu valeu a pena.
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Mais séries
Refeita do dilúvio que é assitir a "Anatomia de Grey" sigo na minha maratona de séries televisas. E que boa é a quinta-feira, a seguir a "Anatomia de Grey" dá agora "LWord". Não assiti às primeiras temporadas mas desde a temporada anterior que sou fã. Acho piada à personagem da Shane. E aqui está uma mulher que eu acho bonita. Não estou com muita paciência para procurar fotos fica esta para registo:
Katherine Moennig
Ainda não é hoje
A sério que tinha pensado terminar hoje este jejum de post. Mas tenho os olhos lavados em lágrimas por causa da " Anatomia de Grey". Choro o episódio inteiro. Tchau, tchau que a Izzie vai casar.
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Posição de morto
“Mas quando o pequeno Matías mas necessitou da posição de morto, ao ponto de sem ela não ter podido sobreviver, foi nos breves períodos em que a mãe tentou ser uma boa mãe. Quando, depois de um internamento no hospital, voltava para casa abstémia e, agarrando-o pelos ombros, lhe comunicava com empolado ênfase que desta vez, sim, via as coisas claramente, que desta vez iam ser felizes. A seguir a mulher amarrava um lenço à cabeça com ar decidido e punha-se arranjar a desordem horrorosa que reinava no apartamento. Os montes de roupa suja espalhados pelo chão, o lixo acumulado em estratos geológicos, os ninhos de garrafas vazias, os restos de comida que entupiam a pia. Punha de molho toalhas e cuecas, levava os lençóis sujos de um lado para o outro e limpava alguns ramalhetes de bolor do frigorífico, mas os seus esforços nunca pareciam fazer mossa na porcaria reinante e, passados algumas horas, ela rendia-se. Nessa altura agarrava em Matías e levava-o ao supermercado, onde gastava todo o dinheiro da sua pensão de viúva enchendo o carrinho com tabletes de chocolate, flãs e pudins, madalenas cobertas com açúcar, bolachas de baunilha em forma de animais e alegres pacotes de lápis de cores perfeitamente inúteis para se alimentar. E depois, já de volta a casa, empenhava-se em fazer sonhos com mel e ria-se como uma tonta mesmo que se queimasse; e abraçava-se ao pescoço de Matías e enchia-lhe a cara de beijos húmidos porque iam ser imensamente felizes. A etapa exuberante, que era a pior, durava alguns dias. Depois começava a atulhar-se de tranquilizantes, de comprimidos para dormir e de anfetaminas para acordar mas continuava a sorrir o tempo todo embora com os olhos rasos de lágrimas. Até que uma tarde, ao regressar da escola, Matías a encontrava deitada no chão e tinha de voltar a saltar por cima dela para entrar. E nessa altura respirava aliviado e podia descansar, podia abandonar a posição de morto que tinha mantido durante as semanas sem álcool, podia prescindir de toda essa secura interior, de toda essa rigidez defensiva que o salvara de cair no engano. Na armadilha horrível de acreditar que a felicidade era possível.”
Excerto de “Instruções para salvar o mundo” de Rosa Montero
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